Breakfast at Tiffany

Descrições, opiniões, divagações, suposições, sensações, confusões, explosões

30

de
julho

Heroes

 

Minha imagem preferida do Pan….os verdadeiros heróis….

Bombeiros paulistas que trabalharam no resgate das vítimas do "acidente" com avião da Tam, homenageados na cerimônia de encerramento. Junto aos bravos anônimos que arriscam as vidas todos os dias no país ’vaie e vença como puder’, estava Dara, a labradora que trabalhou junto com Dora e Anny nas buscas nos destroços do prédio atingido….

 

Fico pensando…estes homens escolhem esta profissão sabendo que não ficarão ricos, não terão fama e arriscarão suas vidas fazendo um trabalho que precisa ser feito…poderiam escolher inúmeros outros caminhos:  vender seguro de vida, se esconder atrás das palavras (como eu), jogar futebol no exterior e andar de Ferrari, mas não..eles optam por salvar vidas….

É de gente assim - e cães (não abandonados, mas sim bem cuidados e respeitados) - que o país precisa!

 

 

Dara, Dora e Anny…..bonitinhas ..não vaiam ninguém..só ajudam!

 

27

de
julho

Despedida

 

Janeth se despediu das quadras, deixando uma história vitoriosa e digna.

Discreta, talentosa e competente, é um exemplo de atleta e de ser humano.

Entrevistei Janeth há alguns anos. Com a mesma simpatia e atenção que atenderia um amigo da Globo, uns meses depois, ela se sentou comigo no chão da quadra onde treinava, no antigo clube da Pireli, e conversou sobre o começo de carreira, os títulos conquistados e a ida para a W NBA.  

 

A seguir, um trecho da matéria (não lembro exatamente que ano era)

 

Janeth dos Santos Arcain é uma vitoriosa. Principal jogadora de basquete em atividade no Brasil, disputa atualmente a Liga Nacional de Basquete pela Arcor, de Santo André, e embarca no fim do mês para os Estados Unidos para disputar a quarta temporada pela W NBA, - National Basquetball Association Woman - a liga norte-americana de basquete profissional feminina, defendendo o Houston Comics.

Atravessando ótima fase pessoal, Janeth está realizada profissionalmente. “Vivo um momento grandioso” - afirma a colecionadora de titulos. Já foi campeã regional, paulista, brasileira, sul americana, pan-americana, mundial, medalhista olímpica e tricampeã da W NBA.

Janeth defende a seleção brasileira desde 86. Mas é a conquista da medalha de prata em 96, nas Olimpíadas de Atlanta, o momento eleito como mais emocionante de sua carreira: “Emocinalmente, eu precisava da medalha".

Segundo Janeth, seu sucesso é explicado pela dedicação, desde  o inicio da carreira. “Comecei com 13 anos no vôlei, mas logo passei para o basquete. Eu ficava o dia todo na quadra e jogava até em duas ou três categorias ao mesmo tempo. Por isso evolui rápido” – explica.
Janeth passou ainda pelas equipes de Piracicaba, Jundiaí e Sorocaba até vir para Santo André, há oito anos, onde mora. “Me identifiquei totalmente com a cidade” - comenta.

Mesmo comprometida com a W NBA, a atleta garante que não deixará de jogar aqui, já que o calendário permite conciliar as duas equipes. Sem pensar, ainda, em encerrar a carreira, Janeth sonha com a medalha de ouro nas Olímpidas de Sidney. “Tudo vai depender do psicológico, pois o time está muito bem” - garante. Já se preparando para o futuro, abriu uma loja de informática, área de grande interesse. 

Ao avaliar sua trajetória, Janeth lembra, sem arrependimento algum, dos sacrifícios: "É preciso se cuidar. Não podemos nos entregar a rotina de “badalações” se quisermos ter a carreira estendida". E, não se esquece de tudo que ganhou com o esporte. “Cresci pessoalmente, aprendi a conviver em grupo, fiz muitos amigos. Adquiri minha casa, meu carro e pude ajudar minha família. Tudo que sou devo ao esporte”.

Para os futuros atletas, um recado: “Sempre acreditem no seu sonho. Sempre”.

 

25

de
julho

Vaias para a torcida

É vergonhoso o comportamento da torcida no Pan-Americano.

Vergonhoso e repudiante, prova de que brasileiro, em geral, não tem educação e cultura, não é civilizado e tem valores totalmente questionáveis…..
Vaiar qualquer um que não seja brasileiro em qualquer momento, por qualquer motivo, em qualquer lugar, só para irritar, atrapalhar, azucrinar, badernar…..é prova que não são só os políticos destituídos de ética…

E a grande mídia, principalmente a televisiva, como sempre se furta de uma parte fundamental de seu papel na sociedade, que é refletir, promover autocrítica, educar, para transformar o comportamento em mais uma característica da "brasilidade"(o termo irritante), a  "irreverência", como classificou ontem uma anta de um jornalista da Record, seguindo o padrão adotado pela Globo e pela Bandeirantes.

Lastimável…..

 

O Brasil, muito provavelmente sediará uma Copa do Mundo…é questão política da Fifa, não tem jeito…Será mais um evento para ser esquecido, repleto de jeitinhos, maracutaias e falta de educação.

Mas, nunca, jamais, never, ever….sediará uma Olimpíada….este é o legado de uma identidade negativa e vergonhosa.

 

PS – Os cubanos, momentaneamente, por serem adversários mais fortes, tomaram o posto dos argentinos no posto de inimigos públicos número um do brasil (minúsculo mesmo, de protesto) . A mídia já decretou…são arrogantes, provocadores, antidesportitas (e nós não!?!) Quanta ignorância!

Artigo interessante - Vaias não param, são repudiadas e arranham imagem do Pan

24

de
julho

Só quem tem, e ama, acredita parte II

Voltemos a coisas boas….

 

Julie, cansada de ouvir durante o fim de semana que ta fedidinha e precisa de um banho postou-se, segunda-feira cedo, dentro do box do banheiro…

Ação sem precedentes, ja que ela como todo cachorro que se preza, detesta banhos, e prefere passar longe do chuveiro. Como a chuva e o frio não dão tregua e a pequena é uma bolinha bem, bem peluda, o banho teve que ser adiado e remarcado para o petshop, onde aliás, ela costuma arrumar encrenca com os cachorros de raça, além de conquistar admiradores que já tentaram, inclusive, adota-la!!

Tá louco, tio? Nem pensar!

Neste momento, a pecinha rara está exatamente lá, de onde deve voltar com lacinhos que serão arrancados por ela mesma nas primeiras 24 horas! Maloca não tem jeito!    

24

de
julho

Isso aqui é um pouquinho de Brasil…

Trechos de matéria publicada no Terra, hoje….

 

Dez dias de competição e muitos quilômetros rodados, percebe-se que o "jeitinho" contamina a cidade e o Pan. Na entrada de VIPs do estádio do Maracanã, em dia de jogo de futebol feminino, engravatados conversam com a segurança e conseguem que dois acompanhantes entrem sem credenciais. "Valeu véio", agradece um deles. "Te devo uma".

 

 

…..Na área de entrevistas do Maracanã, chamada de Zona Mista, enquanto jornalistas se espremem para conseguir a declaração de Marta, uma nuvem densa de voluntários (mais de 20) se posiciona à frente da área. Objetivo: tirar fotografias, colher autógrafos e tietar….Eles são vistos aos montes em qualquer competição onde esteja o Brasil. Torcendo. Outros vão mais longe. Usam a credencial para ir a outras arenas, também para torcer. "Com jeitinho, sempre dá para entrar", confidencia uma estudante de educação física, que não quer se identificar.

….Outros vão mais longe ainda. Vendem o próprio uniforme…

 

…….no corredor da Zona Sul, centenas de viaturas e policiais guardam a costa cariocaEm uma madrugada, no Aterro do Flamengo, o taxista, ouvindo funk no último, fez questão de frisar: "Não se engane amigo. Refizeram o asfalto aqui, tem polícia por tudo quanto é canto, mas é só aqui. Na rua paralela, não há nada".

 

O "jeitinho" Pan inclui também, na maioria das vezes, a vaia aos vencedores, quando não os brasileiros, que faz estremecer no túmulo o Barão de Coubertin, inspirador dos Jogos Olímpicos modernos, onde o importante não é vencer e sim, competir.

 

O espírito olímpico não é quebrado apenas por VIPs ou pelos torcedores, mas também pelos ídolos de outrora, que neste Pan se travestem de torcedores, esquecendo geralmente o que pregavam quando atletas.

Oscar, do basquete, pula de arena em arena, desferindo adjetivos ofensivos aos adversários sem cerimônia. Popó, do boxe, se irritou com os pedidos para que acompanhasse a uma luta de boxe sentado. "A gente pode tudo. Estamos no Brasil", esbravejou….

 

Preciso comentar? Não, né….

 

 O sol Cauê é o mascote dos XV Jogos Pan-americano RIO 2007. Cauê é alegre, amigo de todos e ama esportes. Grande defensor da paz, ele nasce para celebrar a vida, o respeito à natureza e transmitir os valores olímpicos de igualdade e união.

Pobre Cauê..deve estar envergonhado com as inúmeras demonstrações de civilidade do seu povo!

20

de
julho

Nacionalismo nazista, cobertura patética

Ta….sou chata, mas não consigo deixar de comentar..

A cobertura dos Jogos Pan-Americanos é uma das coisas mais insuportáveis e antiprofissionais que já vi. Só comparada à Copa do Mundo, senão pior….

Oportunismo - Toda cobertura esportiva do país, mesmo das emissoras fechadas, dedica a maior parte do espaço durante todo o ano a que? Futebol, claro…e ignoram os outros esportes, salvo Olimpíadas. Mesmo os jogos pan-americanos anteriores sempre tiveram muito pouco espaço.  

Quantos dos jornalistas brasileiros já se interessaram em cobrir a carreira do João da Silva, do boxe, ou da Mariazinha, do levantamento de peso????

Agora os tratam como heróis, aproveitando de uma fama tão repentina quanto efêmera…Nada contra os atletas… Pelo contrário..gostaria que Joãos e Marias do ciclismo, remo, etc, tivessem o mesmo espaço que os boleiros (jogador de futebol para mim não é propriamente um atleta), estas pessoas incríveis, talentosas, inteligentes, com muita coisa a dizer à humanidade tipo Ronaldinhos, Robinhos e companhia….

Nacionalismo antiquado- O ufanismo exagerado lembra algo tipo campanha nazista na Alemanha ou propaganda militar no Brasil..Pra frente Brasil, salve a seleção!

Acho que todos os editores mandaram memorandos com a seguinte ordem: Quem não usar pronome possessivo para falar dos atletas do país será demitido por justa causa. Não aguento mais ouvir textos com nosso atletas, nosso Thiago não sei do que, nossas meninas do handebol, nossos meninos do volei, nossos heróis incansáveis….ah give me a break!

Isto sem falar no uniforme patético do povo da Bandeirantes..aquelas camisas e roupões verde amarelos que lembram uniforme escolar da década de 70…..

Concordo que até certo ponto é normal existir torcida por parte dos narradores, mas a falta de profissionalismo está imperando…Ontem, execraram os juizes do judô que deram vitória a um cubano, como se todos os narradores entendessem de judô o mínimo para julgar a performance dos atletas…Mais tarde, na ESPN, única que relativamente se salva da bandalheira entre os canais que disponho, um ex-judoca comentou que a decisão foi normal….

Desinformação - "Esqueceram" de informar que estes jogos são para países como EUA e Canadá, apenas mais uma competição no calendário, preterida frente mundiais e outros torneios. Estes países mandam grande parte dos atletas de segundo escalão e poupam os principais para outras competições. Ou seja, os resultados são extremamente ilusórios…uma ilusão que ficará evidente nas próximas Olimpiadas…

A mistura de desinformação com nacionalismo tem gerado momentos pra lá de patéticos….Ontem, interromperam duas vezes o noticiário da Bandnews para transmitor o Gold Medal Point da seleção feminina de volêi!!!! Não que eu estivesse torcendo contra, para mim que vença o melhor (só torço descaradamente contra o futebol masculino), mas foi engraçado ouvir o comentário do narrador no tie break..agora sem susto, vamos fechar!!! E ponto para Cuba, que vira e vence o jogo…

Outro cara narrava natação como se fosse corrida de cavalo…la vai a brasileria, cabeça à cabeça….emparelhou com a americana, pode dar ouro…e a imagem mostrava a americana bem à frente…

 

Só um comentário….A garra das cubanas, um país em plena decadência, é para ser exaltada….É isto que diferencia um vencedor de um perdedor….vai buscar, não se irrita com torcida, com nada e mostra que sabe vencer em qualquer circunstância!!

 

Repito..não tenho nada contra os atletas brasileiros, acho que merecem reconhecimento pelo esforço de fazer esporte em um país sem investimento e apoio governamental, onde qualquer modalidade só vai pra frente com iniciativas privadas e onde o povo só quer saber de futebol. Por isto mesmo é de amargar esta hipocrisa toda….

 

Obs….Vaiar as delegações argentina e americana foi muita falta de educação!!!

E que vença o melhor, sempre! 

 

  

18

de
julho

Medo

Morar neste país dá medo! 

Mais medo do que o pânico irracional que tenho de acidente de avião. Medo de ser vítima da incompetência generalizada, da bandalheira, da bandidagem, da impunidade, das pequenas grandes sacanagens a que somos submetidos diariamente pelo desmando, pela corrupção. Medo do descaso do governo com tudo que se refere a decência e dignidade.

Por este medo, não esperava que o Lula fosse homem suficiente para mostrar a cara numa hora de tragédia anunciada como este acidente estúpido. Descobri há muito tempo o tipo de filosofia e de gente que está ligado ao PT, há um tempo suficiente para evitar cometer o mesmo erro duas vezes….

Por este medo, não espero que as investigações revelem a verdadeira causa do acidente. Não espero nada de sério das autoridades

Por tudo isto, o que mais me chocou foi a covardia da Tam de levar os parentes das vítimas a uma sala, mais de cinco horas depois do ocorrido e divulgar a lista de passageiros por meio de um mero aparelho de rádio, deixando ainda que o momento fosse filmado. 

Do governo ineficaz, corrupto e demagogo se espera isto, mas de uma companhia privada, com profissionais supostamente qualificados (o que não existe no governo) o mínimo que se espera é uma postura digna, uma assistência profissonal…. 

Foi deprimente sinal da falta de respeito à vida que existe em todas as esferas.

 

Fecho, com palavras de um anônimo comentário que li em algum blog….

"Moro num país tropical, amaldiçoado por deus e fudido por natureza, masi que tristeza…E o pior é que depois de todas estas merdas em fevereiro tem carnaval.."

 

E vamos todos torcer para a seleção e assistir o Pan ….

17

de
julho

De Bagdá, com muito amor

 

Já que o papo é leitura, recomendo esta tocante narrativa sobre o resgate de um cão iraquiano por um tenente coronel norte-americano, durante a atual ocupação do Iraque.

O pequeno Lava é encontrado ainda filhote em uma casa abandonada em Faluja, em meio a um dos mais devastadores ataques do início da guerra. Desobedecendo o regulamento militar, o grupo adota o mascote que logo se torna protegido do tenente-coronel  Jay Kopelman.

O cãozinho, mais que um mascote, promove uma revolução na visão de vida do militar. Sem cogitar deixá-lo no país, ele enfrenta uma batalha burocrática para poder levar Lava à California.

A narrativa explora não somente sobre o relacionamento com cão, que transforma Jay, mas envolve uma descrição realista da situação do país, dos soldados norte-americanos, iraquianos  - civis sem treinamento militar e preparação psicológica - e da insanidade dos rebeldes, que chegam a utilizar portadores de Sindrome de Down como homens bomba.

Mesmo que do ponto de vista de um norte-americano, a reflexão inclui elementos bastante críticos sobre o treinamento militar e a ocupação.

É impressionante perceber a tranformação que a convivência com um cachorrinho pode promover em um militar, valentão, treinado para matar. Como ele se torna vulnerável, admite sentir medo, chorar, se importar….

"Mais do que qualquer coisa, quero ele vivo porque, devo confessar, antes de Lava eu era um fuzileiro de quem não se esperava qualquer reflexão sobre a vida e a morte. Eu carregava uma mochila repleta de cupons que valiam a absolvição. Agora, depois de conhecer Lava e deixar o medo tomar conta de mim, percebo uma vaga semelhança entre um assassino em série e eu."  reflete o tenente.

 

16

de
julho

Os livros da minha vida….neste momento

Respondendo à convocação da  Gi, do Na TV, fui compelida a pensar em meus livros preferidos.

São tantas belas palavras, tantas histórias marcantes que fazem parte de mim e ajudaram a construir minha personalidade, meu estilo de escrita (se é que tenho algum estilo, hehehe) 
Bom, estes cinco títulos são a lista do momento…que varia freqüentemente, de acordo com o estado de espírito e a memória!!!

O Senhor dos Anéis – JRR Tolkien - Uma fantasia tão bem desenvolvida que te faz ter certeza de que a Terra Média realmente existiu. A história da trilogia (A Sociedade do Anel/As Duas Torres/O Retorno do Rei) é bem mais complexa que a apresentada nos filmes, (embora tenham sido ótimos, mas a linguagem de cinema é diferente) e faz parte de uma mitologia que se completa com O Hobbit, O Silmarillion e Contos Inacabados. Vale a pena conhecer a Terra Média pelas palavras de Tolkien!

 
Caninos Brancos – Jack London - Um lobo mestiço de cão, nasce na floresta, mas bem cedo é aprisionado por um índio, que mais tarde o vende a, talvez, o personagem mais perverso de todos os tempos – Beleza Smith - (ganha de longe de Sauron pelo nível de covardia). A triste experiência torna-o uma fera mais selvagem do que teria sido na natureza. Mas, por sorte, Caninos Brancos, como foi chamado pelo índio, encontra alguém disposto a salvar a imagem do ser humano. O novo dono o resgata da morte certa e constrói um lindo relacionamento, despertando no lobo/cão amor, amizade e fidelidade…É comovente (choradeira certa!!!)

A compaixão dos Animais – Kristin Von Kreisler – Um urso que divide comida com um gatinho; um porco que acorda a família para avisar do vazamento de gás carbônico.Estas são apenas algumas de uma série de histórias verídicas, que comprovam não só o nível de inteligência dos animais, mas também o amor e compaixão deles com o ser humano. Este também é da série: leia com um lenço ao lado - e vale cada lágrima.

Ainda Sou Eu – Christopher Reeve – biografia do eterno super-homem, onde ele conta não apenas a vivência pós-acidente, mas também descreve e reflete a carreira e a vida. Sua postura perante a deficiência, que o tornou dependente de uma máquina até para respirar, é uma lição. Não pelo conformismo geralmente valorizado na aceitação de tragédias como esta, nem pela revolta, até aceitável, mas sim pela lucidez com que lidou com o fato e transformou a dor em ações concretas para uma cura que não teve tempo de concretizar.

As Intermitências da Morte – José Saramago – É uma deliciosa fábula sobre a morte e a vida em, basicamente, três partes. O livro começa com o dia que a morte decide interromper suas atividades, prossegue com a retomada de suas ações – agora precedidas de um aviso prévio e encerra com o interesse dela por um mortal comum. Entre reflexões sobre a morte, consciência de sua inevitabilidade e até uma inesperada história de amor, a leitura reflete a genialidade do autor. Ainda que a obra prima de Saramago seja Ensaio sobre a Cegueira – que achei uma experiência extremamente perturbadora, no bom sentido - prefiro este.

Convidados/Convocados

Suando na Neve

Diálogos da Insanidade

 

12

de
julho

Nojo, asco, raiva

Toda cultura tem seu nível de barbaridade e vergonha.

 


É certo que nem todos os espanhóis são cruéis e estúpidos a ponto de apoiar touradas e o abominável massacre de touros em Pamplona, assim, como nem todo catarinense aprova a Farra do Boi. Mas isto não muda o fato de que a imagem do local é manchada por permitir que uma tradição de selvageria se mantenha.

Sem hipocrisia e condescendência, se a vida fosse justa, cada um dos
participantes, expectadores, apoiadores, tolerantes e responsáveis direta ou indiretamente por barbaridades como esta, teriam uma existência desgraçada e cheia de sofrimento.

Mas a vida não é justa. E seres inocentes continuarão sofrendo!

Ter alguns feridos não basta para aplacar a dor que causam. E não tenho o menor remorso em dizer que não só cuspiria em cima do caixão de qualquer um destes trastes podres, como ficaria feliz de saber que deixaram de ocupar lugar na Terra.   

É de dar nojo. É para comprovar que o ser humano é inferior moralmente a qualquer outro animal, seja um elefante, uma pulga ou uma bactéria.

Seja como for que surgimos, somos uma experiência que deu errado.

Na boa, se fosse para livrar a Terra do seu único e verdadeiro parasita, eu não ligaria de ser extinta junto com esta raça maldita!!!!


 

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