17
de
julho
De Bagdá, com muito amor

Já que o papo é leitura, recomendo esta tocante narrativa sobre o resgate de um cão iraquiano por um tenente coronel norte-americano, durante a atual ocupação do Iraque.
O pequeno Lava é encontrado ainda filhote em uma casa abandonada em Faluja, em meio a um dos mais devastadores ataques do início da guerra. Desobedecendo o regulamento militar, o grupo adota o mascote que logo se torna protegido do tenente-coronel Jay Kopelman.
O cãozinho, mais que um mascote, promove uma revolução na visão de vida do militar. Sem cogitar deixá-lo no país, ele enfrenta uma batalha burocrática para poder levar Lava à California.
A narrativa explora não somente sobre o relacionamento com cão, que transforma Jay, mas envolve uma descrição realista da situação do país, dos soldados norte-americanos, iraquianos - civis sem treinamento militar e preparação psicológica - e da insanidade dos rebeldes, que chegam a utilizar portadores de Sindrome de Down como homens bomba.
Mesmo que do ponto de vista de um norte-americano, a reflexão inclui elementos bastante críticos sobre o treinamento militar e a ocupação.
É impressionante perceber a tranformação que a convivência com um cachorrinho pode promover em um militar, valentão, treinado para matar. Como ele se torna vulnerável, admite sentir medo, chorar, se importar….
"Mais do que qualquer coisa, quero ele vivo porque, devo confessar, antes de Lava eu era um fuzileiro de quem não se esperava qualquer reflexão sobre a vida e a morte. Eu carregava uma mochila repleta de cupons que valiam a absolvição. Agora, depois de conhecer Lava e deixar o medo tomar conta de mim, percebo uma vaga semelhança entre um assassino em série e eu." reflete o tenente.

