24
de
julho
Isso aqui é um pouquinho de Brasil…
Trechos de matéria publicada no Terra, hoje….
Dez dias de competição e muitos quilômetros rodados, percebe-se que o "jeitinho" contamina a cidade e o Pan. Na entrada de VIPs do estádio do Maracanã, em dia de jogo de futebol feminino, engravatados conversam com a segurança e conseguem que dois acompanhantes entrem sem credenciais. "Valeu véio", agradece um deles. "Te devo uma".
…..Na área de entrevistas do Maracanã, chamada de Zona Mista, enquanto jornalistas se espremem para conseguir a declaração de Marta, uma nuvem densa de voluntários (mais de 20) se posiciona à frente da área. Objetivo: tirar fotografias, colher autógrafos e tietar….Eles são vistos aos montes em qualquer competição onde esteja o Brasil. Torcendo. Outros vão mais longe. Usam a credencial para ir a outras arenas, também para torcer. "Com jeitinho, sempre dá para entrar", confidencia uma estudante de educação física, que não quer se identificar.
….Outros vão mais longe ainda. Vendem o próprio uniforme…
…….no corredor da Zona Sul, centenas de viaturas e policiais guardam a costa cariocaEm uma madrugada, no Aterro do Flamengo, o taxista, ouvindo funk no último, fez questão de frisar: "Não se engane amigo. Refizeram o asfalto aqui, tem polícia por tudo quanto é canto, mas é só aqui. Na rua paralela, não há nada".
O "jeitinho" Pan inclui também, na maioria das vezes, a vaia aos vencedores, quando não os brasileiros, que faz estremecer no túmulo o Barão de Coubertin, inspirador dos Jogos Olímpicos modernos, onde o importante não é vencer e sim, competir.
O espírito olímpico não é quebrado apenas por VIPs ou pelos torcedores, mas também pelos ídolos de outrora, que neste Pan se travestem de torcedores, esquecendo geralmente o que pregavam quando atletas.
Oscar, do basquete, pula de arena em arena, desferindo adjetivos ofensivos aos adversários sem cerimônia. Popó, do boxe, se irritou com os pedidos para que acompanhasse a uma luta de boxe sentado. "A gente pode tudo. Estamos no Brasil", esbravejou….
Preciso comentar? Não, né….
O sol Cauê é o mascote dos XV Jogos Pan-americano RIO 2007. Cauê é alegre, amigo de todos e ama esportes. Grande defensor da paz, ele nasce para celebrar a vida, o respeito à natureza e transmitir os valores olímpicos de igualdade e união.
Pobre Cauê..deve estar envergonhado com as inúmeras demonstrações de civilidade do seu povo!

