27
de
julho
Despedida

Janeth se despediu das quadras, deixando uma história vitoriosa e digna.
Discreta, talentosa e competente, é um exemplo de atleta e de ser humano.
Entrevistei Janeth há alguns anos. Com a mesma simpatia e atenção que atenderia um amigo da Globo, uns meses depois, ela se sentou comigo no chão da quadra onde treinava, no antigo clube da Pireli, e conversou sobre o começo de carreira, os títulos conquistados e a ida para a W NBA.
A seguir, um trecho da matéria (não lembro exatamente que ano era)
Janeth dos Santos Arcain é uma vitoriosa. Principal jogadora de basquete em atividade no Brasil, disputa atualmente a Liga Nacional de Basquete pela Arcor, de Santo André, e embarca no fim do mês para os Estados Unidos para disputar a quarta temporada pela W NBA, - National Basquetball Association Woman - a liga norte-americana de basquete profissional feminina, defendendo o Houston Comics.
Atravessando ótima fase pessoal, Janeth está realizada profissionalmente. “Vivo um momento grandioso” - afirma a colecionadora de titulos. Já foi campeã regional, paulista, brasileira, sul americana, pan-americana, mundial, medalhista olímpica e tricampeã da W NBA.
Janeth defende a seleção brasileira desde 86. Mas é a conquista da medalha de prata em 96, nas Olimpíadas de Atlanta, o momento eleito como mais emocionante de sua carreira: “Emocinalmente, eu precisava da medalha".
Segundo Janeth, seu sucesso é explicado pela dedicação, desde o inicio da carreira. “Comecei com 13 anos no vôlei, mas logo passei para o basquete. Eu ficava o dia todo na quadra e jogava até em duas ou três categorias ao mesmo tempo. Por isso evolui rápido” – explica.
Janeth passou ainda pelas equipes de Piracicaba, Jundiaí e Sorocaba até vir para Santo André, há oito anos, onde mora. “Me identifiquei totalmente com a cidade” - comenta.
Mesmo comprometida com a W NBA, a atleta garante que não deixará de jogar aqui, já que o calendário permite conciliar as duas equipes. Sem pensar, ainda, em encerrar a carreira, Janeth sonha com a medalha de ouro nas Olímpidas de Sidney. “Tudo vai depender do psicológico, pois o time está muito bem” - garante. Já se preparando para o futuro, abriu uma loja de informática, área de grande interesse.
Ao avaliar sua trajetória, Janeth lembra, sem arrependimento algum, dos sacrifícios: "É preciso se cuidar. Não podemos nos entregar a rotina de “badalações” se quisermos ter a carreira estendida". E, não se esquece de tudo que ganhou com o esporte. “Cresci pessoalmente, aprendi a conviver em grupo, fiz muitos amigos. Adquiri minha casa, meu carro e pude ajudar minha família. Tudo que sou devo ao esporte”.
Para os futuros atletas, um recado: “Sempre acreditem no seu sonho. Sempre”.


Comentário por Marco Paiva — 27 de julho de 2007 (23:48)
Valeu Janeth! =D