Breakfast at Tiffany

Descrições, opiniões, divagações, suposições, sensações, confusões, explosões

4

de
setembro

Mídia do Mal

Eu amo e defendo os Pitts

 

Há muito tempo aboli a TV aberta e sua falta de ética da minha vida…mas tenho acompanhado a repercussão que a campanha da desgraça bola da vez tem causado. Na falta de acidentes aéreos ou outras matérias-primas altamente geradoras de sensacionalismo e comoção fajuta dos medíocres, a midia não dá tregua aos pit bulls. 

O resultado é um alarde estratosfericamente absurdo do povinho sem senso crítico e um índice alarmante de abandonos dos cães.    

Como ocorre em todas as vertentes, a cobertura é tendenciosa. Nunca há investigação do que gerou o ataque, como os cães eram tratados, onde eram mantidos, quem foram os criadores, o que o atacado fez…Não existe uma discussão racional e técnica sobre o problema que contribua para o fim dos ataques.

 

Pessoalmente, nunca conheci um pit feroz. Já tive oportunidade de brincar com uma fêmea que acabara de dar cria e tinha os filhotes ao lado. Eu segurava uma gata no colo, enquanto acariciava a nova mamãe. Ela tinha todos os motivos para ser feroz…a cria, a gata, eu - uma completa estranha. Nenhuma reação de agressividade foi mostrada.

Uma amiga veterinária me confessou agora que nunca examinou um pit que a ameaçasse ou tivesse a mínima reação violenta.

Pronto: quebrado mito. Pit bulls não são feras bestiais feitas para matar.

  

Mas a mídia, mais uma vez, aproveita da idiotice das pessoas e aborda a questão de forma errada, gerando prejuizo aos pobres cães e aos donos.

Um conhecido quase foi linchado porque seu pit escapou…Imprudência? Concordo..Mas o que é realmente terrível, lastimável, abominável é que em meio aos selvagens que o cercaram com paus e pedras havia um bandido fichado pela polícia, posando de zelador da ordem do bairro!!!!!! Totalmente detestável..catarses coletivas revelam o que de pior o ser humano pode ser. 

As pessoas são covardes..se calam diante do bandido e atacam um cão.

 

Por esta lógica imbecil, deveríamos aniquilar a espécie que mais mata, assalta, estupra, não? Ou seja…o ser humano….Eu não sou nada a favor da perpetuação humana, mas seria mediocridade não reconhecer que mesmo em uma raça tão cruel como a minha, existem pessoas de índole impecável, fazendo o bem, tentando fazer do mundo um lugar melhor…

Entre a minoria de cães violentos - que se assim o são é por total responsabilidade de um dono que o criou para isto ou de um criador irresponsável que não fez acasalamentos corretos - existe a maioria dócil, amorosa, inteligente, extremamente forte sim, mas inofensiva a quem não o provocar.

 

Então, aos estúpidos que acreditam em tudo que vêem na TV e fazem coro para degradar a raça …vão pro inferno. Levem uma TV, assistam Cidade Alerta ou Jornal da Record, dancem com o capeta, cumprimentem ACM e fartem-se de suas opiniões futeis e mediocres. Mas deixem os pit em paz !   

Com certeza absoluta, no inferno não encontrarão nenhum Pit Bull!!!

 

Trechos de matéria publicada na Globo.com em 01/09 por Isabela Noronha e Carolina Iskandarian

Pit bulls não são naturalmente ferozes, garantem especialistas
Genética e ação do homem são responsáveis pela ferocidade de alguns cães da raça. Segundo eles, maioria dos pit bulls são mansos.

Os cães da raça pit bull, temidos pela suposta ferocidade, não merecem a fama de violentos, garantem os especialistas…..“Uma das raças que mais se atende em clínica hoje é o pit bull. E a grande maioria deles são mansos. Eles não impõem problemas e é raro que sejam agressivos”, diz o veterinário Luiz Henrique Filippi, da Comissão de Ética do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo, que mantém uma clínica há 21 anos.
O professor Marco Antônio Gioso, da Faculdade de Medicina Veterinária
da Universidade de São Paulo (USP), concorda. “Está cheio de registro de acidentes gravíssimos envolvendo outras raças…… Mas as pessoas ficam ‘encanadas’ com o pit bull, porque ele é muito forte.”
Segundo os especialistas, o comportamento violento de alguns cães pode ser explicado pela genética. “Como qualquer outra raça, o pit bull pode ser acasalado para ficar bravo ou calmo. Como alguns criadores só querem cachorros bravos, só cruzam animais assim. Aí, vamos ter uma linhagem de pit bulls bravos.”
O comportamento dos donos também vai ser determinante para a formação da personalidade do cachorro. “Não se deve esticá-lo, provocá-lo. Senão, ele fica neurótico e a neurose dele extrapola para ira”, diz Filippi. “Tenho vários clientes que têm pit bull. Tratado com carinho, entre crianças, ele é um cachorro normal”, completa.
Abandonados 
….Ficar solto na rua tem sido o destino de muitos pit bulls. De acordo com levantamento do CCZ, o número de cães desta raça abandonados cresceu 95 % entre 2006 e 2007. Se comparados apenas os dados dos anos de 2005 e 2007, o aumento foi de 243%. O principal motivo seriam as recentes notícias de ataques….
….Em 2005, o CCZ recebeu 180 pit bulls. No ano seguinte, foram 352. Até agosto de 2007, o número já chegava a 619.
“Em cada ataque que ocorre, principalmente com crianças, as pessoas ficam com medo e simplesmente abandonam os animais. Acham que ele vai atacar na própria casa, o que acaba virando uma paranóia nacional”, explicou o veterinário.
….O analista de suporte Gustavo Ferreira, de 26 anos, sabe disso. Há dois anos, cria Thor, um pit bull de cor caramelo, que passou por adestramento. Porém, somente para obedecer ao dono…..
….Ferreira rebateu a idéia de um dia ter de abandonar seu cachorro. “Não tenho motivo para isso. Ele é dócil, tranqüilo”, afirmou. Ele defendeu a punição dos donos e não do animal em casos de ataque. O analista também condenou a violência contra o bicho de estimação. “Ele vai respeitar o dono por medo. Um dia vai acabar atacando”.
Por ano, os veterinários do CCZ calculam receber, em média, 16 mil cães. São animais abandonados por serem bravos, doentes ou até mesmo pela falta de dinheiro dos donos. Em alguns casos, eles se desfazem do bicho de estimação por não ter espaço para criá-los de forma adequada.
Thor teve sorte. “Ele ia ser adotado. Quando o vi em uma caixa, cheio de pulga e embolado em um jornal, resolvi ficar com o cachorro”, afirmou Ferreira. Inofensivo, na época o cãozinho tinha apenas 40 dias. 
  

Arquivado em: Bicho é tudo de bom I

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