18
de
janeiro
A morte de uma árvore

Não fazem funerais para árvores. Não mandam flores, nem acendem velas. Tão pouco agradecem sua sombra e beleza, a renovação do ar que suas folhas proporcionaram.
O vendaval derrubou uma árvore. Cena mais triste, o monumento caído no meio da avenida.
Não conheço a fundo as árvores. Vergonha não saber o nome e sobrenome de quem esteve presente tanto tempo em minha vida. Lá parada, do outro lado da rua. Paciente e altiva. Benevolente e submissa.
Devia ter muitos anos. Estava tomada por fungos e outros parasitas que enfraqueceram as raízes que devem ter sido tão sólidas em outros tempos.
Vergonha nossa não nos preocuparmos com as árvores. Vergonha não cuidarmos de sua saúde. Vergonha não apreciá-las.
Soa exagero em dias tão cibernéticos e desprovidos de poesia, mas são poucas as cenas tão tristes quanto uma árvore tombada.
Mas quem liga para uma árvore? Ninguém pára um segundo para contemplar seu infortúnio, sua decadência. Ninguém se comove .
Não há funerais para árvores.


Comentário por Agostinho Lopes — 18 de janeiro de 2008 (20:45)
Interessante! Esta é a primeira vez que vejo alguém externar uma preocupação que já tive também. Quando vemos sangue jorrar num ser humano, encaramos a sensação de morte, porém nos vegetais também circula seu próprio “sangue”, que leva vida desde a raiz até a folha mais alta e não lamentamos essa perda como deverÃamos nem tampouco exercitamos sentidos semelhantes a compaixão… Faz parte do processo de “perda de identidade” como gente, ao qual nos submetemos e, ao mesmo tempo, somos submetidos.
Comentário por picida ribeiro — 18 de janeiro de 2008 (21:44)
Ainda não tenho essa consciencia do que o verde representa em nosso mundo, mas estou atenta, querendo absorver,mas quero registrar a beleza do texto
Comentário por lucy in the sky — 20 de janeiro de 2008 (16:42)
Holly, eu também me entristeço com a morte de uma árvore. Pra falar a verdade, fico triste quando morre qualquer planta, mesmo sem saber seu nome e sobrenome.
Comentário por Jr L — 20 de janeiro de 2008 (19:24)
Sad, but true.
Parabén pela sensibilidade. Continue assim. o mundo carece de gente assim.
Abraços
Comentário por Paula Marina — 21 de janeiro de 2008 (21:15)
O ser humano, obsecado pela modernidade, não consegue olhar para dentro de si, nem ao seu redor, mas quer descobrir o universo.
Muito paradoxal!