22
de
janeiro
I love my job

Vida de freela - ou profissional liberal, como eu prefiro - tem destas coisas.
Você come sobras da geladeira - isto quando não esquece de almoçar. Toma muito café e faz invenções estranhas com miojo. (consegui mudar esta realidade recentemente, mas não sei até quando vai durar).
Faz os horários mais exdrúxulos possíveis só porque pode. E trabalha de pijama e máscara de argila na cara só para contar que trabalhou o dia todo assim.
Não sabe há muito tempo o que é décimo terceiro e fica com raiva de quem esbanja o abono em dezembro, jurando que vai procurar emprego de "carteira assinada" no ano que vem, o que nunca ocorre.
Passa tempos apertada e quando vê dinheiro não consegue gastar sem remorso. Pega todo trabalho que pode - e não pode - tentando fazer uma poupança decente e trabalha como se o mundo fosse acabar para cumprir os prazos.
Jura que vai fazer previdência privada, mas quando tem dinheiro sobrando não tem tempo e termina mais um ano tão sem futuro quanto começou.
Você fica dias sem ver a rua e assusta o carteiro quando vai atender a porta porque esqueceu de pentear o cabelo e ta usando camiseta manchada de cândida e chinelo com meia.
Inventa que ta tocando o outro ramal só para desligar o fogo da panela de pressão que colocou para cozinhar feijão alguns segundos antes do telefone tocar para uma ligação que vai durar horas.
Sai arrumada no meio do dia para uma reunião e as vizinhas te olham om desprezo achando que você vai ao shopping bater perna. As mesmas que por mais que você explique que trabalha em casa e precisa de paz e silêncio, acham que você não tem nada pra fazer e insitem em puxar conversa sobre o melhor produto para limprar vidros a qualquer hora do dia.
Sobra para você todas as tarefas burocráticas e chatas como fazer as contas da casa, pagar IPTU, água e luz, marcar médico e buscar exames, pedir água e ração pros cachorros porque o marido acha que você tem tempo sobrando. E te pedem um milhão de favores porque ninguém consegue entender que você não passa o dia vendo sessão da tarde e arrumando gavetas.
Recebe telefonemas de executivos workholics às nove da noite e tem que mandar o marido parar de tocas violão para disfarçar que ta fazendo hora extra no escritório.
Entrevista o presidente de uma multinacional do conforto do seu lar, de cabelo ensebado, camiseta do Corinthians e com a cachorra no colo. E adora dizer que tem HomeOffice.
Fala sozinha e com os cachorros ou fica tantas horas sem falar com ninguém que quando o telefone toca tem medo de ter esquecido como se pronuncia ALÔ.
Faz da inconstância uma rotina, da insegurança um modo de vida e não troca, nem por um minuto, esta vida por nada.


Comentário por Jr L — 23 de janeiro de 2008 (11:27)
*Inveja*
Parece que por mais que eu tente, o meu destino e ser um escravinho do SISTEMA.
Dammit!
Abracos
Comentário por picida ribeiro — 23 de janeiro de 2008 (21:36)
Quando trabalhei em casa, me dividia entre o trabalho propriamente dito e o fogão.Conclusão quilos e mais quilos… Voltei a trabalhar com “carteira assinada” há 4 meses,estou gostando… vamos ver até quando…
Comentário por lucy in the sky — 24 de janeiro de 2008 (14:30)
Trabalhar em casa requer prática e habilidade! Se começar a misturar a vida doméstica com a profissional, vira um caos. Deve -se estabelecer limites para o expediente, tipo, depois de tal hora o telefone do “escritório” só é atendido pela secretária eletrônica.
Além de ter que aturar abusados que, sabendo que você trabalha em casa, te ligam às 9 da noite, ou em finais de semana, você ainda tem que ouvir que passa o dia em casa coçando o saco e brincando na internet.
Fora os familiares que invadem seu local de trabalho ao bel-prazer para te perguntar coisas óbvias e pedir para você solucionar problemas que eles podiam perfeitamente resolver sozinhos.
Haja!
Comentário por Lile — 26 de janeiro de 2008 (9:30)
Oi, Holly!
Você descreveu muito bem essa vida louca! Que eu tb não troco por NADA.
Ah, incluà comentários anônimos no Abacate. Agora dá pra vc postar lá!
Bjo