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de
fevereiro
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Tenho um caso de amor e ódio com São Paulo.
Adoro o Parque Ibirapuera, o Planetário, o Masp, o Mercado Municipal, as gravatas e os tailleurs da av. Paulista e da Berrini. Amo do Simba Safari, as ruas arborizadas e sinuosas do Morumbi, as cantinas do Bixiga.
Gosto dos teatros, dos multiplex com suas porções para Trolls, da lembrança dos antigos cines Gazeta, do charme da vila Madalena e dos Jardins. Adoro o bairro da Liberdade, as festas étnicas, o Jóquei Club, o Pátio do Colégio, o imponente Teatro Municipal, a cidade de Adoniran, de Mário de Andrade, de Rita Lee, de Paulo Autran, do modernismo, dos descolados, da vanguarda.
Amo passear nos aeroportos, comprar livro no sebo do Messias, na Sé, e comer torta de palmito na centenária e histórica padaria Santa Tereza.
Fico feliz de saber que São Paulo tem rua das noivas, dos lustres, dos tecidos, dos eletroeletrônicos, das jóias e bijouterias e a galeria do rock. Gosto de ir às feiras no Anhembi e no Expo Center Norte, do Playcenter, dos shoppings sempre abertos.
Adoro os prédios de vidro e os escritórios com carpete e ar condicionado. Amo saber que em São Paulo são proibidos rodeios e circos com animais. Gosto da feira de artesanato da Praça da República, do Memorial da América Latina, do Museu da Lingua Portuguesa, dos restaurantes vegetarianos, das escolas antigas, da Estação da Luz restaurada, onde meu paulistaníssimo avô paterno viveu grande parte de sua vida.
Aprecio a cidade não ter praia, não ter distrações de sua principal vocação e não ser contagiada pela alegria tropical que não é paulistana de natureza.
Gosto de saber que estamos no centro da América Latina, somos uma potencial Manhattan.
Amo a São Paulo das orquestras, das exposições, do budismo, islamismo, judaísmo e ateísmo. Do Cidade Limpa, do trabalho, da pressa, da formalidade, da discrição. Do Pacaembu, do Parque São Jorge, do Corinthians, do pastel de feira, da cultura, das pinacotecas e cinematecas, do Memorial do Imigrante, da Oscar Freire.
Mas detesto a sujeira e os cheiros do centro, o churrasco grego, o submundo marginal, a poluição, o barulho e a imundice que tomaram os rios, as ruas e o bairro do Brás, onde meu pai nasceu e cresceu, em outros tempos quando se conversava em cadeiras nas calçadas e as pessoas se conheciam pelos sobrenomes.
Odeio as horas perdidas pelo excesso de gente em filas intermináveis. Odeio as pessoas que jogam sujeira, entulhos e restos de suas medíocres vidas nas ruas, terrenos e córregos.
Odeio ficar parada na marginal, na av. do Estado, na Bandeirantes..suando e com medo de assalto. E estou cansada de ter medo, muito medo sempre..de golpes, de bandidos, do PCC e de todo tipo de escória da humanidade que adotou a cidade.
Detesto metrôs e trens lotados, a falta de educação da multidão que empurra e pisoteia, suja e emboprece a cidade. Odeio a São Paulo do excesso de gente, dos rituais selvagens do bolo de aniversário.
Fico arrasada de ver cachorros abandonados, vivendo do lixo e com descaso. Tenho ódio das parideiras que colocam filho atrás de filho no mundo para mandá-los aos faróis, aos ônibus, às ruas. Odeio a ignorância como desculpa, a falta de deveres e o excesso de direitos, a falta de respeito.
Detesto os motoboys que não respeitam as faixas e arrancam o retrovisor dos carros sem motivo, os pixadores de muro, os grafites deslocados e toda condescendência com o mau gosto. Odeio as greves, as badernas que fecham avenidas, que atrapalham quem trabalha - e como se trabalha.
Odeio a falta de civilidade quase predominante, a ausência de gentileza e os exterionatários guardadores de carro. A falta de verde, os cortadores de árvores, os carroceiros que escravizam cavalos, a indiferença com a vida.
Não gosto de ver a descaracterização que rouba da cidade sua identidade. Tenho saudade do sotaque da Mooca, do Bom Retiro, do Ipiranga. Saudade de um tempo que não vivi, quando os homens usavam chapéu e sobretudo na terra da garoa e as mulheres sabiam combinar cores, não mostravam a barriga na rua - e nunca falavam alto. Saudade de uma elegância quase totalmente perdida.
São Paulo é bipolar, esquizofrênica e tem dupla personalidade. O Paraíso e o Inferno, com parada na Consolação. Uma Babel sem castigo, uma Caixa de Pandora. Quem te entende, não compreende, quem te deixa, não consegue ir embora….


Comentário por lucy in the sky — 1 de fevereiro de 2008 (14:29)
Morei em Sampa por 3 meses, e fui muitas vezes depois a trabalho e algumas a lazer.
Sempre fui muito bem recebida, as pessoas são gentis e educadas, até os porteiros dos outros prédios te dão bom dia (no Rio isso não acontece, não sei se eu é que dei sorte).
Quando alguém te convida para ir à casa dele, marca dia e hora (no Rio é só ‘aparece lá em casa!’ e nem dá o endereço).
Os problemas que tem aà são os mesmos de toda grande cidade: violência, trânsito caótico, crescimento desordenado.
Acho muito legal a cidade que nunca dorme, que a gente encontra de tudo e mais um pouco.
Só estranhei os motoristas de taxi que nunca sabiam o destino de onde eu queria ir. No Rio é só você dar uma referência, uma esquina e pronto.
Ah, também sentia falta do mar. Coisas de carioca mal acostumada…hehehe….
Beijos.
Comentário por O padre que sabe a verdade! — 7 de fevereiro de 2008 (15:34)
Eu sei da verdade….
de toda a verdade…. do inicio da epocas de diadema até hoje!
Comentário por HOLLY — 8 de fevereiro de 2008 (15:29)
Priminho querido….quem morou em Diadema foi você!
Comentário por picida ribeiro — 10 de fevereiro de 2008 (15:01)
A melhor definição para SP, passou a ser a sua: BIPOLAR, e “quem te entende, não te compreende, quem deixa, não consegue ir embora”, foi demais, foi para mim… rsrsrs