28
de
março
Muito obrigada, moço!

Não sou dondoca. Mas também não sou feminista, o que me permite a confortável posição de me recusar terminantemente a trocar pneu.
Como me ensinou um amigo logo que comprei o primeiro carro, sempre vai ter um "otário" (palavras dele, não minhas) para trocar. A técnica é simples: fique ao lado do carro com a mão na cabeça e cara de aflita. Logo, um gentil cavalheiro vai parar e se oferecer para ajudar.
Onze anos após esta fundamental aula, testei a teoria. E funciona perfeitamente. Alguns minutos de encenação bastaram. Mas não era encenação, fiquei mesmo aflita….Primeiro porque nunca dei atenção às tentativas do marido de me ensinar a tarefa. Segundo porque estava de vestido. Além de sujar a peça, que gosto muito, seria vexame total as abaixadas e levantadas seguidas. Isto sem contar a alta probabilidade do pneu e do carro despencarem ladeira abaixo. Era uma questão de segurança patrimonial e pessoal. Minha e de quem estivesse a 1 km do local.
Enfm, um gentl senhor se ofereceu e executou a troca em alguns minutos.
Muito obrigada, moço! Não sei o que faria sem o senhor - foi meu sincero agradecimento.
Agora pensando, lembro de um comentário que fiz ontem no blog do Raposa…Falei do perigo de ser comandada por mulheres e chamei-as de víboras perigosas saídas do inferno (me incluindo, claro). Esperava ser apedrejada, mas por enquanto consegui duas concordâncias.
Somos víboras mesmo. É só analisar meu agradecimento: Obrigada, moço - para fazer o senhor se sentir mais novo. Não sei o que faria sem o senhor - para ser educada e já evitar possíveis mal entendidos.
O pior é que estas conspirações mentais ocorrem naturalmente, não precisamos nem pensar para sermos estrategicamente diabólicas.
A verdade é que eu poderia trocar o pneu se quisesse. Tenho QI e habilidade física (acho, hehehe) para isto.
Mas é muito melhor ser alvo de gentileza do que queimar soutiens. Manter a pose, não sujar as mãos….E ter certeza de que falem o que quiser, mas cavalheirismo nunca sairá de moda….


Comentário por Lile — 28 de março de 2008 (22:25)
Holly,
pneu eu nunca troquei. Já troquei bateria, lanterna, rádio. E olha que eu nem dirijo. Mas aprenderia a trocar o pneu numa boa. Por quê? Porque eu ainda odeio depender de outros, ainda mais de estranhos. Mas não recusaria ajuda se, por uma questão de força, eu tivesse mesmo que procurar alguém fazendo cara de desesperada.
Bjo
Comentário por Selma — 31 de março de 2008 (2:50)
Venhamos e convenhamos: a vida é feita de manipulações, sejam elas pequenas ou grandes, veladas ou descaradas… E não é exclusividade das mulheres, não…
Bjs!