
O post Enquanto isto, na fila é 99% real. Embora a foto da fila seja apenas ilustrativa, o diálogo é basicamente o que ouvi enquanto me divertia nas duas horas que fiquei na fila, ao lado do Marido, para comprar ingresso para o jogo da foto aí de cima.
Esta sim é do dia.
Só quem tem um time no sangue pode entender a emoção de assistir um jogo - qualquer um que seja - no meio da torcida. Só quem torce de verdade sabe como é bom ver o time entrar em campo. Como é bacana pular na hora do gol e se arrepia quando lembra da energia concentrada no estádio. E como é legal xingar à vontade sem a mínima censura.
O palavrão, aliás, é um dos grandes baratos de estar no estádio, o lugar onde até uma dama pode soltar o mais cabeludo, sem medo de parecer vulgar. Porque se no cotidiano temos que regular o que sai da boca para não ser inconveniente, no campo de futebol tudo é permitido. E você se sente livre para falar o que quiser, pois ninguém vai dar ouvidos mesmo.
Porque o que importa está no gramado. Com aqueles 22 caras que geralmente passariam a vida sem serem notados, não fosse a escolha pelo tão valorizado - e superestimado, eu sei - título de jogador de futebol.
Mas no campo, sinceramente, não temos tempo para reflexões sociológicas, críticas sociais e outros papos cabeça. E o melhor - não há a mínima necessidade de ser racional.
Não interessa se o juiz está certo ao expulsar o jogador do seu time, ele é um FDP e pronto, vai ser xingado.
Se não seu o penalti aos 45 do segundo tempo (é vero - não deu mesmo o penalti em cima do Herrera, na minha cara, safado) não entra na estatística de que errar é humano. Vai ser execrado, assim como todo o jogador do time adversário, que não tem que querer ganhar, tem que perder, oras.
Excessão feita quando um dos adversários é um ídolo indiscutível da sua torcida e seu em particular. E mesmo que ele faça gol pelo adversário, no fim você vai gritar: UH Marcelinho….
E ele vai se redimir vestindo a camisa de onde, um dia, foi deus e jurar mais uma vez amor eterno, praticamente pedindo desculpas por ter que ser profissional. E vai cair nos braços da fiel. Mais uma vez.
E nestas horas, você entra em êxtase por ser corinthiano e por saber que estas coisas só acontecem com seu time.

E não importa a conduta pessoal do cara. É o pé de anjo. E seja lá o que ele fez da vida, deu títulos ao seu time.
É ou não é maravilhosso poder ser irracional ….
Porque para o conrinthiano em geral, o time está acima de tudo. Acima da seleção, inclusive. E se jogar Timão X Brasil, aposto o que quiserem, que a fiel lota o estádio vestindo preto e branco e vence no grito a massa verde e amarela…
Mas divagações apaixonadas e entusiasmadas à parte:
Diferente do que muitos imaginam, o estádio não é exatamente um campo de batalha. Claro que jogos que envolvem duas grandes torcidas exigem cuidado. Mas partidas "caseiras", em cidades menores, como foi o caso do jogo de sábado, são bem mais sossegadas.
Vi alguns deficientes, muitas, mas muitas moças. Algumas senhoras e um número consideravel de crianças, muitas indo pela primeira vez a um jogo de futebol profissional, acompanhadas pelos pais, orgulhosíssimos.
E embora seja uma tentação se acabar no meio da gaviões (pelo menos para meu lado maloqueiro e baderneiro) é melhor ficar longe das organizadas. Seja de qual time for, são um antro de bandidos sim.
Mas valeu ficar na arquibancada, junto com o torcedor comum e saudavelmente apaixonado. Gritei horrores, xinguei pacas e me diverti como há tempos não me divertia.
E se aqui tem um bando de louco, valeu a pena enlouquecer em bando.