Breakfast at Tiffany

Descrições, opiniões, divagações, suposições, sensações, confusões, explosões

14

de
julho

Em Campo

 

O post Enquanto isto, na fila é 99% real. Embora a foto da fila seja apenas ilustrativa, o diálogo é basicamente o que ouvi enquanto me divertia nas duas horas que fiquei na fila, ao lado do Marido, para comprar ingresso para o jogo da foto aí de cima.

Esta sim é do dia.

 

Só quem tem um time no sangue pode entender a emoção de assistir um jogo - qualquer um que seja - no meio da torcida. Só quem torce de verdade sabe como é bom ver o time entrar em campo. Como é bacana pular na hora do gol e se arrepia quando lembra da energia concentrada no estádio. E como é legal xingar à vontade sem a mínima censura.

O palavrão, aliás, é um dos grandes baratos de estar no estádio, o lugar onde até uma dama pode soltar o mais cabeludo, sem medo de parecer vulgar.  Porque se no cotidiano temos que regular o que sai da boca para não ser inconveniente, no campo de futebol tudo é permitido. E você se sente livre para falar o que quiser, pois ninguém vai dar ouvidos mesmo.

Porque o que importa está no gramado. Com aqueles 22 caras que geralmente passariam a vida sem serem notados, não fosse a escolha pelo tão valorizado - e superestimado, eu sei -  título de jogador de futebol.

 

Mas no campo, sinceramente, não temos tempo para reflexões sociológicas, críticas sociais e outros papos cabeça. E o melhor - não há a mínima necessidade de ser racional.

Não interessa se o juiz está certo ao expulsar o jogador do seu time, ele é um FDP e pronto, vai ser xingado.

Se não seu o penalti aos 45 do segundo tempo (é vero - não deu mesmo o penalti em cima do Herrera, na minha cara, safado) não entra na estatística de que errar é humano. Vai ser execrado, assim como todo o jogador do time adversário, que não tem que querer ganhar, tem que perder, oras.

Excessão feita quando um dos adversários é um ídolo indiscutível da sua torcida e seu em particular. E mesmo que ele faça gol pelo adversário, no fim você vai gritar: UH Marcelinho….

E ele vai se redimir vestindo a camisa de onde, um dia, foi deus e jurar mais uma vez amor eterno, praticamente pedindo desculpas por ter que ser profissional. E vai cair nos braços da fiel. Mais uma vez.

E nestas horas, você entra em êxtase por ser corinthiano e por saber que estas coisas só acontecem com seu time.

 

E não importa a conduta pessoal do cara. É o pé de anjo. E seja lá o que ele fez da vida, deu títulos ao seu time.

É ou não é maravilhosso poder ser irracional ….

 

Porque para o conrinthiano em geral, o time está acima de tudo. Acima da seleção, inclusive. E se jogar Timão X Brasil, aposto o que quiserem, que a fiel lota o estádio vestindo preto e branco e vence no grito a massa verde e amarela…

 

Mas divagações apaixonadas e entusiasmadas à parte:

Diferente do que muitos imaginam, o estádio não é exatamente um campo de batalha. Claro que jogos que envolvem duas grandes torcidas exigem cuidado. Mas partidas "caseiras", em cidades menores, como foi o caso do jogo de sábado, são bem mais sossegadas.

Vi alguns deficientes, muitas, mas muitas moças. Algumas senhoras e um número consideravel de crianças, muitas indo pela primeira vez a um jogo de futebol profissional, acompanhadas pelos pais, orgulhosíssimos.   

E embora seja uma tentação se acabar no meio da gaviões (pelo menos para meu lado maloqueiro e baderneiro) é melhor ficar longe das organizadas. Seja de qual time for, são um antro de bandidos sim.

Mas valeu ficar na arquibancada, junto com o torcedor comum e saudavelmente apaixonado. Gritei horrores, xinguei pacas e me diverti como há tempos não me divertia.

E se aqui tem um bando de louco, valeu a pena enlouquecer em bando.

 

 

 

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9

de
julho

Enquanto isso, na fila

para comprar ingressos para ver Corinthians e Santo André, no sábado….

 

- Ae, mano. sei não. Acho que não vai ter pra todo mundo.

- Tem sim.

- Sei lá. A mulher falo que ta vendendo desde sábado…

- Sério, véio?

- É, meu. Melhor comprar no setor do Santo André.

10 minutos depois.

- Vai dar não, cara. Olha lá malandro tentando furar fila. Não deixa não, ooooooo!!!!!!!

- I veio, vai acabar. Esta pôrra não cabe nada.

- Tem umas 100 pessoas aqui. Se cada um comprar pra cinco, já são quinhetos. Quanto cabe nesta merda?

- Vai acaba, mano. Vai acaba. To falando.

 - É mando dos cara. Tem pouco pro timão.

1 hora depois

- Vai acaba véio, to falando.

- Ó neguinho furando fila. Maluco. Vou da porrada.

30 minutos depois, quase na boca da bilheteria.

- Sei não. Acho que vai dar.

- Será véio?

- Vai sim.

Na bilheteria

- I véio, tem um monte ainda.

- Quantos ainda têm moça?

- Uns mil.

- Falei que iam liberar mais pro timão.  

 - Falei que ia dar mano.

 - Certo, mano.

- Firmeza!

 

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29

de
maio

NÃO PÁRA, NÃO PÁRA, NÃO PÁRA

 

Dá licença de eu descer do salto.

PUTAAAAAAAAA QUE PARIUUUUUUUUUUU !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Este grito vem do fígado e vai para todos que tripudiaram em cima de uma nação.

Durmam com nosso barulho!!!!!!!

 

Juro que não vou me importar se perder do Sport.

Renascemos das cinzas.

Respeito. Respeito.

 

 

 

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1

de
maio

Festa da Uva

 

Primeira pergunta minha , na manhã da quinta:

Foi sonho ou o Corinthians ganhou mesmo de 4×0 ontem?

Felizmente, era realidade…

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24

de
abril

Sai zica

 

Quando vi a imagem de São Jorge se espatifar no chão, ontem, em missa realizada no Corinthians, gritei pro Marido:

- F#d#u! Vamos parar na quinta divisão agora!!!

Aí lembrei que não sou superticiosa.

Mas por bem ou por mal, vale mais a filosofia do meu acupunturista oriental, que conta que quando quebra algo em casa é porque a má sorte tá indo embora de vez!

 

Hoje vou descobrir!!!

 

PS - A ansiedade ainda me mata….não é hoje, é quarta que vem - dia 30/04.

 

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4

de
abril

Roxo não!

Uniforme do timão, ontem, na vitória de 2×0 contra o Fortaleza….

 

Ah, não me ferra!!!

Roxo não!

Não descaracterizem o alvinegro do Parque São Jorge!

 

3

de
dezembro

Eu nunca vou te abandonar

 


"Outros rivais estiveram na mesma situação e outros estarão, mas nunca com essa repercussão. És uma Nação. És Imenso Corinthians."
Toquinho

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12

de
novembro

Ser corinthiano é ir além…

Felipe pega pênalti em Goiânia.  UFA!!!!!!

 

És grande no esporte bretão, o passado ilumina a tua história.
Ciente da tua missão, vitória, vitória, vitória…
Corínthians do meu coração, tu és religião de janeiro a janeiro.

Ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro.
Ser corinthiano é ser também um pouco mais brasileiro.
Tens a tradição, de um clube tantas vezes campeão
Pelos teus rivais, temido, pela tua fiel, querido
Ser corinthiano é ir além de ser ou não ser o primeiro.
Ser corinthiano é ser também um pouco mais brasileiro.

 

Toquinho

 

Ser corinthiano…. Até o desespero é mais vibrante…

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18

de
maio

Insanidade Nacional


Fui gerada em uma pensão próxima à Vila Belmiro. Era década de 70 e meu pai costumava arrastar minha mãe para assistir Pelé e companhia defendendo sua grande paixão, o Santo Futebol Clube.
Acho que desde aquela época me questiono sobre os motivos que levam as pessoas a perderem a noção do sensato quando se trata de futebol. Por que se tornam tão emocionais e irracionais quando seu time está em campo?
Em casa, o aparelho eletrônico mais usado sempre foi o radinho de pilha. Companheiro inseparável de meu pai, via o sendo levado para o banheiro na hora do banho, quando chegava do trabalho, para que pudesse ouvir as notícias do time. Via o colado em sua orelha em noites comuns, em jogos sem importância…Cara de poucos amigos, olhos perdidos no nada davam o sinal de que o Santos estava jogando. Minha mãe garante saber se o Santos está ganhando ou perdendo só de ouvir sua respiração…
Ele ouve rádios de Santos - detalhe, moramos no ABC - para saber de notícias quentes. Como ele consegue distinguir as notícias no meio do insuportável chiado gerado pela distância de transmissão ninguém sabe!
Assim foi e assim continua sendo. Mas o DNA problemático não pára por ai. Minha mãe, hoje bem mais controlada, é tão emocionalmente palmeirense que não consegue assistir os jogos. Fica só com sua angústia, fechada no quarto e atenta aos fogos para saber se saiu gol, esperando que alguém avise que já terminou. Nem sempre resiste. Quando o Palmeiras venceu a Libertadores, entrei no quarto para dar a boa notícia e a peguei já assistindo pela TV, e às lágrimas!!!
Meu irmão herdou o amor pelo Santos e o leva tão a sério quanto meu pai, porém bem mais descontrolado. Chuta a parede, se descabela, fala milhões de palavrões. É um laço forte entre os dois, que até causa certa inveja, uma espécie de pacto sagrado irredutível….
Ele frequenta assiduamente a Vila Belmiro e ultimamente está feliz, mas sofreu um bocado.
Na final do Campeonato Brasileiro de 2002, quando o peixe saiu da longa fila (hehehehe) quase infartou quando o Corinthians virou o jogo e dependia de apenas mais um gol para tirar o título do Santos. Saiu de casa feito um louco e ficou rodando a cidade de carro, carregando a pobre namorada - hoje esposa. Ao ouvir fogos pelo empate, jurou que o gol era do Timão e só depois que a namorada insistiu, ligou o rádio. Não resistiu, voou para a Imigrantes para seguir o ônibus do time até a baixada.
Antes do jogo, ele sutilmente expulsou eu e meu noivo na época - hoje marido - ambos corinthianos de casa: Sabe como é, corinthiano dá azar..
Recentemente, sem poder suportar o tetra campeonato conquistado em 2005 pelo Timão, afirma categoricamente que sua missão na Terra é torcer contra o time do Parque Sâo Jorge!
E tinha também meu avô paterno. São paulino doente, não perdia um jogo do seu ou de qualquer outro time. Adorava futebol e passava horas grudado no radinho e na frente da Tv para ver todos os programas esportivos. Caso jogassem São Raimundo e Vila Socó, para ele seria imperdível! Isso trouxe alguns probleminhas com minha vó e após insistentes pedidos, ele finalmente comprou um segundo aparelho de tv para que a coitada pudesse ver suas novelas e o Silvio Santos em paz.
No fim de sua vida, teve uma doença que tirou gradativamente sua lucidez e e para nós foi muito triste ver a indiferença com que passou a tratar o tema, pois simbolizava claramente o quanto ele estava fora do mundo. Durante seu velório, em 28 de dezembro de 1998, acontecia a final da Copa do Brasil daquele ano, e ao ouvir os rojões que comemoravam a vitória do Palmeiras pareceu uma estranha coincidência soando como homenagem a quem tanto apreciou o esporte mais popular do País. Acho que foi a primeira partida que ele acompanhou após anos de apatia…
Cresci no meio destes doidos e também tive momentos insanos. Entendo tecnicamente um pouco…sei diferenciar impedimento de escanteio e prefiro programas esportivos a femininos . Acabei corinthiana, por incrível que pareça, uma ovelha alvinegra!!! Já fui bem mais fanática, ultimamente ando mais controlada, mas não deixo de me entusiasmar e sofrer, claro, com nostro hermano Tevez e sua turma!!!
Meu marido, embora sem o DNA degenerado como o meu, também é maloqueiro e sofredor. Aliás, o Timão faz parte de nossa história. Nosso primeiro contato mais próximo foi para assitir um jogo do Corinthians na casa de uma amiga….Logo no início de namoro marcamos um encontro: domingo, no Morumbi, para assistir Corinthians e Portuguesa…Ele é todo poderos timão, filho de espanhol só podia dar nisto - mas a convivência é pacífica na família, embora ele odeie cada vez mais o Santos !!!
A lista de atos dramaticamente engraçados provocados pela paixão já presenciados é infinita e mereceria na verdade um livro. Amigo que faz o sinal da cruz ao passar em frente ao Parque São Jorge; outro que, em seu casamento, na hora do brinde, pediu a palavra para fazer uma prece e soltou solenemente: Salve o Corinthians, o campeão dos campeões. Eternamente dentro de nossos corações… e sem esquecer o vizinho corinthiano que quando adolescente chutava o carro verde de seu pai, o símbolo do inimigo….

Essas histórias são comuns e aposto que a maioria de nós já presenciou alguma insanidade parecida em sua família. Porque o futebol está arraigado em nossa cultura, despertando em vários lugares do mundo, uma paixão dificil de explicar. Acho que já está no inconsiente coletivo…passa de pai para filho e traz boas e más consequências. Basta lembrar de tantas vidas acabadas por estupidez, apenas porque não defendiam a mesma bandeira.
Para o torcedor, não adianta apelar para o racional e pensar que é apenas mais um esporte e que, ganhando ou perdendo, suas vidas continuarão como sempre. Soa como consolo simplista para torcedor derrotado na segunda-feira.
Uma cena em especial nunca me saiu da memória…
Seu João é um simpático e sorridente zelador de um prédio de uns amigos. Na final da Copa de 1998, entre Brasil e França, eu e meu marido assistíamos a final com eles, quando passados mais de 30 minutos do segundo tempo, com 2 x 0 para a França, decidimos ir embora para evitar a confusão que prometia se formar após a derrota inevitável. Descemos calados, embora sinceramente eu não torça para a seleção brasileira por diversos motivos, e na portaria encontramos seu João chorando.
- Não esquenta seu João, na próxima a gente leva - profetizou meu marido. Mas não adiantou muito. Foi tão triste…mas exemplificou exatamente o que significa uma simples partida de futebol.
Talvez, daqui há milhares de anos, as pessoas se perguntem por que durante os séculos XX e XXI e quem sabe quantos mais, multidões se reuniam em grandes arenas gramadas, grupos se aglomeravam nas ruas e em suas casas para assitir 22 homens correndo atrás de uma bola, tentando encaixá-la em três estacas de madeira rodeadas por uma rede. E o fato de uma parte torcer para um bando e outra para outro bando seja explicado por exames minuciosos em telas de plasma nos restos mortais dos crânios de fósseis deste período. E as crianças aprendam , assim como hoje estudamos hábitos de civilizações perdidas, que era motivo de grande orgulho ser um destes homens e que isto se tornou uma das poucas possibilidades de mobilidade social extrema nesta remota civilização.

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